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15/07/2014

Uma tarde em Manhattan

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Alguns leitores do blog que não são aeronautas me pedem para escrever um pouco sobre a vida de tripulante. Muita gente não sabe, mas, antes de começarmos a voar temos que passar por muitas horas de treinamento em solo, provas práticas e escritas e, só depois de aprovados “teoricamente” é que podemos começar nosso treinamento em voo. E todo ano o treinamento teórico se repete, e precisamos ficar horas estudando e sendo avaliados para continuarmos voando. Então, sempre que começamos a voar um “modelo” de aeronave diferente, ou em uma classe diferente dentro da aeronave, temos instrução em voo, onde um comissário fica responsável por dar instruções ao outro. Geralmente dura um mês e os dois tripulantes ficam com “escala casada”, fazendo os mesmos voos juntos.Nesses nove anos de voo já tive muitas instrutoras que me influenciaram diretamente na minha maneira de trabalhar e que tenho grande carinho por elas. Mas pela primeira vez, em junho de 2014, tive uma comissária aluna! Sim, dessa vez eu que fui a instrutora. A comissária Luciana também voa há muitos anos mas começou a voar o Boeing777 agora. Nosso primeiro voo juntas foi com destino ao aeroporto JFK em Nova York. Após 9h de voo e muitas instruções era hora de começar outra instrução, também muito importante: como aproveitar o tempo livre para passear! Como era a primeira vez de Luciana na cidade mais cosmopolita do mundo, não podia deixar de levá-la em alguns dos principais pontos turísticos e ensiná-la como se virar por lá! Ainda tivemos a companhia de mais três colegas: o André, a Tassiana e a Mariza.

O hotel que a companhia aérea disponibiliza para ficarmos hospedados fica em Long Island, cerca de 50 minutos de trem até Manhattan. É preciso saber alguns detalhes ao comprar o ticket do LIRR (Long Island Rail Road): os preços são diferenciados para horários de pico e o destino final é a Penn Station, que fica na rua 34 esquina com a Sétima Avenida.Chegando na Penn Station, começamos de vez nosso passeio e enquanto eu explicava a Luciana que todas as ruas e avenidas seguem a ordem numérica, já nos deparamos o estonteante Empire Estate Building e seus 443 metros de altura que o tornou o prédio mais alto do mundo até 1970.

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Com uma temperatura de 27 graus e um dia lindo, resolvemos fazer uma caminhada até o High Line Park, um parque público, construído em uma antiga linha de trem elevada que passa por cima de várias ruas do lado oeste de Manhattan.O parque acompanha a 10ª e 11ª avenidas. Subimos nele na rua 23 e caminhamos oito quarterões para sul, curtindo a vista da cidade por esse ângulo tão inusitado.Às vezes a vista era só prédios, às vezes aparecia o rio Hudson, em alguns pontos via-se a Estátua da Liberdade bem longe e pequena com sua tocha na mão!Para refrescar, uma parte do parque tinha água corrente no chão e eu não resisti, tirei os sapatos e foi super refrescante.

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Eu, Tassiana, Luciana, Mariza  e André morrendo de calor no High Line

Eu, Tassiana, Luciana, Mariza e André morrendo de calor no High Line

 

Eu e minha aluna Luciana, sem sapatos e com rio Hudson ao fundo

Eu e minha aluna Luciana, sem sapatos e com rio Hudson ao fundo

 

Continuando o passeio, próxima parada: Chelsea Market, que fica na esquina da rua 15 com a 10ª Avenida. O Chelsea Market  é um dos mercados fechados mais tradicionais do mundo, e vende de tudo: sopa, grãos, vinhos, queijos, artesanatos e roupas. Escolhemos um restaurante italiano chamado Rana para almoçarmos e todo mundo gostou muito!

 

Restaurante Rana, no Chelsea Market

Restaurante Rana, no Chelsea Market

 

Depois do almoço, pegamos o trem para a parte mais ao sul da ilha de Manhattan: South Ferry. Expliquei pra Luciana que o metrô de Nova York é um dos mais fáceis do mundo porque quando se quer ir em direção ao sul, é só pegar sentido downtown, e para ir para o norte, uptown.

Chegamos no Battery Park, bem ao sul da ilha e fizemos um passeio incrível e gratuito. Pegamos a Staten Island Ferry, uma balsa que transporta, gratuitamente, cerca de 60.000 passageiros por dia entre Manhattan e Staten Island, um outro distrito de Nova York.

 

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A vantagem de “passear” nessa balsa é desfrutar o belíssimo visual de Manhattan e da Estátua da Liberdade sem precisar pagar nenhum dólar por isso.

 

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Na volta descobrimos o melhor lugar para ficar na balsa: no subsolo, bem na frente… nada obstrui a vista!

 

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De volta a Manhattan, o tempo já não era mais o mesmo, uma forte tempestade estava chegando… Passeamos pelo distrito financeiro e não poderíamos deixar de tirar foto com o famoso touro de Wall Street! Essa escultura foi feita pelo italiano Arturo de Modica, como símbolo da virilidade e da coragem, necessários para superar a crise da bolsa de Nova York em 1986.

 

Touro de Wall Street

Touro de Wall Street

 

Já que estávamos por ali, não poderíamos deixar de ir ao Memorial do 11 de Setembro. No lugar onde ficavam as torres gêmeas, foi construído um memorial e museu. Não havia mais ingressos disponíveis para visitar o museu naquele dia. O site indicava que seria gratuito nas terças após as 17h, mas isso não aconteceu…

 

Memorial 11/09: local onde ficava uma das torres

Memorial 11/09: local onde ficava uma das torres

 

No meio da energia forte desse local, símbolo de terrorismo e tragédia, a tempestade nos pegou. Saímos correndo e nos abrigamos na melhor loja de departamento do mundo: a Century 21!

Algumas comprinhas depois e a chuva ainda não tinha ido embora. Pegamos o metrô para uptown e fomos até a Times Square. Praça mais famosa e movimentada da cidade, cercada de letreiros luminosos por todos os lados!

 

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Cansados e molhados, só nos restava passar em um lugar entes de ir embora: a padaria do Cake Boss.

 

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Cake Boss é um reality show do canal TLC, que mostra o dia-a-dia da Carlos´s Bakery, uma padaria que fica New Jersey e é famosa por fazer bolos esculturais. Essa não é a padaria oficial, é apenas um café com bolos esculturais e suvenirs do famoso programa de televisão.

 

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Comi um canoli tower, uma espécie de “canudinho recheado” que comemos muito em Minas. Esse era mais bonito do que gostoso, muito muito doce.

Enfim, era hora de voltar pro hotel. Cansados e com calos nos pés pegamos o trem às 20:42 de volta para Long Island, para dormirmos e voarmos pro Brasil na manhã seguinte.

Dedico esse post à minha aluna Luciana e às grandes instrutoras que tive nesses anos de aviação.